"Dupla delícia. O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado." Mário Quintana
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Auto-Conspiração?
O grande problema quando eu mesma ME ENGANO é que, como tudo que está oculto vem a luz, quando eu descubro sofro ao quadrado. Sinto a dor da vítima enganada, e a raiva de mim mesma e arrependimento do "infrator".
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Irreal.

Liz sorriu pensando que ele falava da alma. Enganada pelas palavras dúbias, não só respondeu como correspondeu tal confissão.
-Você me faz sonhar, amar, molhar...
Talvez não fosse por maldade que Tico lhe falava aquelas coisas, e deixasse Liz imaginar demais...talvez.
Provável que Liz fosse estúpida demais e crente demais. Bem provável.
Nada aqui é o que parece. Interpretaram a mesma história de forma distinta.
É o que acontece quando usam partes do corpo diferente para andarem. Um usa a cabeça, outro o coração. Um razão, outra emoção. E se não há comunicação explícita um pequeno mal entendido pode ser a desgraça de quem usa o coração. E pra quem usa a razão e tem um pouco de consciência, esse erro de comunicação gera um desconforto que logo se vai.
Os dois foram vítimas e 'autores', mas uma razão com desconforto é bem mais fácil de resolver do que um coração que foi destroçado.
Tico era um cara legal, desapegado de pessoas. Liz era desapegada de conquistas e sensível, e como toda pessoa sensível, ridícula. Mas ela não tinha vergonha disso, pelo contrário.
Ambos tinham uma beleza notória.
Depois de muito tempo, se encontraram. Liz era acostumada a ser tratada com muito amor e respeito, acima da admiração por sua beleza.
-Quero fazer amor com você. (disse Tico)
Era tudo que ela queria. Aliás, quase tudo. Com uma diferença, ela queria fazer amor com ele todos os dias. Ele...ele queria 1 dia. E ele disse isso.
Foi a informação que precisava para que o mundo dela despencasse.
-Sabe, despertar desejo em homens não me deslumbra. Isso acontece desde sempre....mulheres despertam desejos em homens. Eu pensei que você fosse diferente. Pensei que suas palavras carregassem sentimentos. Mas não. E palavras sem sentimentos são leves demais...o vento leva.
Tico se surpreendeu com a reação dela. Pra ele era tão natural.
Liz se retirou e foi repensar, chorar, gritar...fazer qualquer coisa que pudesse se expressar!
Não era drama, era apenas a história (como não tinha que ser).
Tico não entendia a dimensão da 'coisa toda'. Foi tentar entender o motivo que Liz chorava e se mostrava indignada.
Liz, com os olhos marejados e visivelmente confusa concluiu:
-Não fiquei triste porque nossa história acabou, não. O que estou sentindo é decepção por descobrir que NOSSA história nunca existiu. E decepção comigo mesma é muito mais dolorido. Ter que ME enfrentar exige muito mais coragem.
Mudança.

Abandonar até o que é grande.
Encaixotar coisas pequenas.
Empacotar os detalhes.
Passar fita de identificação, depois uma outra fita adesiva pra não ter perigo de nada escapar.
Algum presente para embalar? Não, não.
Algo pra doar? Também não.
Mas antes de jogar tudo nos devidos lugares, limpo cada cantinho.
Não quero levar nada daqui. Nem poeira.
Estou ME mudando, estou mudando e estou de mudança. Três coisas distintas.
Se vou levar os pacotes e caixas para algum lugar?
Não sei. Ainda não sei pra onde vou, nem quem serei ou se cabe história no novo.
Algumas caixas molharam. Era involuntário mas minhas lágrimas corriam como se quisessem se juntar ao que já foi sonho (irreal, mas foi).
Papelão molhado logo se desfaz. Fiquei com medo de algum detalhe vazar da caixa e grudar em mim, e antes que todo meu trabalho de me DESFAZER fosse em vão...Me levantei do chão.
É...do chão...Porque é lá que a gente fica quando tudo desmorona. É lá que a gente fica quando não sobra orgulho, quando a decepção te abraça...é lá que EU fico, no chão.
Mas não se engane, não fico por muito tempo não.
Antes que qualquer resquício de amor me envolvesse, me levantei num pulo só e em poucos segundos eu estava diante da porta. Agora, do lado de fora, com a chave na mão.
Porta trancada.
Quanto à casa e tudo que estava dentro...Não sei. Não quero olhar pra trás.
As traças devem comer tudo, a poeira deve cobrir...
Aí amanhã eu vou sorrir.
Em que parte da história?

Eu nem sei por onde começar
Talvez porque "começo" já não há.
Tento me localizar na história
Mas as lembranças se confundem na memória.
Meio nunca teve.
Quando parou era apenas o princípio.
O reencontro me questiona se agora é o desenrolar do conto
Ou simplesmente um ponto.
Se antes eu queria meio e reticência.
Hoje, depois da ferida feita, interrogo minha consciência.
Seria tudo uma farsa, o que sinto e como o vejo?
A ausência de reação substitui o desejo.
A decepção me faz negar o beijo.
Se é final não faz mal.
Hoje qualquer coisa seria melhor que o real.
Ontem o sonho era um presente e hoje não sei o que o coração sente.
Hoje, depois do baque, eu desisto.
Amanhã?
Amanhã acho que eu nem existo.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
É Natal...

No Natal...
As pessoas decidem se amar.
Criam coragem pra declarar um amor.
Abrem o coração para perdoar
Resolvem olhar para o lado e doar um pouco de si.
Cobrem quem tem frio, alimentam quem tem fome...
Dão um basta nas intrigas inúteis.
Compram presentes. Ganham presentes.
Fazem uma refeição juntos.
Agradecem à Deus.
Claro, tudo isso é muito bom.
Mas o Natal é todos os dias. (pelo menos deveria ser!)
Ser a expressão do Amor de Deus deve ser uma busca diária nossa.
Celebrar e agradecer pelo nascimento (morte/ressurreição) de Jesus Cristo deveria ser algo natural.
Pois sem ELE nada tem sentido, a vida não tem sentido.
É por causa de Jesus que podemos nos achegar ao Pai (Deus).
Neste dia 25 de dezembro de 2011, eu desejo que possamos viver o natal todos os dias!
Que possamos amar, assumir e declarar um amor....Perdoar e ser perdoado...Olhar para o lado(ter compaixão), falar com Deus, reunir amigos e familiares durante a refeição...Dar presentes...TUDO ISSO...TODOS OS DIAS.
Beijos
Com Amor de Deus, Rê Marra.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Não convém?

-Oi, Amor...
-Oi menina...
-Menina?
-É, am(ops!)menina, acho que não convém mais te chamar assim na nossa atual situação.
-Hum, desculpe mas meu amor não é por CONVENIÊNCIA. Essa grandeza de sentimento chamada Amor não é por mérito, nem conveniência...Não tem como eu deixar de te amar simplesmente porque não convém. Você pode até conseguir isso, mas eu não. Você acha que eu gosto de te amar não tendo-o perto?
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Assim Flor vivia...

Alguns dias a realidade que citavam machucava demais.
Nada pessoal. Nada diretamente com ela. Mas o indireto e o impessoal alcançavam o coração dela de alguma forma.
O injusto, o desamor, a apostasia, a banalização do que realmente importa, a desgraça, a indiferença, a corrupção (moral também!), a fome...os jornais sangrentos. Essas coisas minam a fé de qualquer um. E Flor percebia. Flor SE percebia.
Tentava não saber pra ainda acreditar. E ela acreditava!
Para sobreviver precisava de horas diárias com o Pai (Deus-Cristo). Depois ainda mergulhava em livros e filmes. Às vezes, se isolava.
Para alguns era fuga da realidade. Para ela aquela era a realidade.
Era sua oportunidade de sonhar sem ninguém observar. E como ela vivia de sonhos...era sua oportunidade de VIVER. E ela vivia...
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