sábado, 16 de abril de 2016

Ah que sorte!



Apenas por sentir-se viva, ela já estava feliz.
Saber que seu coração não havia endurecido como ela temia, como aconteceu com muitos, lhe bastava para aliviar a dor.
Porque só sente dor quem está vivo.
E estar vivo já era uma dádiva!

Mas doía.
Era inevitável.
E no meio da alegria por sentir-se humana, ela chorava por ser.
Talvez a alegria e gratidão fossem apenas um jeito de tentar arrancar alguma coisa
boa daquela situação . Ela sempre fazia isso.
Por mais escura que fosse a noite, ela encontrava beleza.

Foi um caso. Agora puro descaso.
É, que chato, o príncipe virou sapo!
E sapo não pode morar mais no coração da gente.
Sapo é frio, não é gente. E o coração precisa continuar quente.

E assim os dias iam passando.
E a tristeza ia se esgotando pelas lágrimas.
E a alegria, que era uma constante, ia se tornando mais forte.
Ah que sorte!

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